UAU, OK – Adamastor

UAU, OK é a reação que temos ao ouvir pela primeira vez o single de estreia da banda, Adamastor. Quando dois alunos de cinema com uma paixão enorme pela música se juntam, são capazes de isto e muito mais. Adamastor é premonição de isso mesmo.

Luís Reis Ruivo

Ainda existem coincidências, acasos, premonições… A forma como Vasco Reis Ruivo e Daniel Gonçalves, ou Danny G, se cruzaram não deixa margem para dúvida. Com vidas distintas e distantes, foram-se aproximando por eventualidades e escolhas até que se conhecem na Faculdade de Cinema onde Vasco se tornou realizador de produção e Daniel técnico de som produtor e compositor, colaboraram algumas vezes e finalmente, aquilo que deveria ser uma aula de produção do Daniel ao Vasco, acabou por se tornar na primeira jam e composição dos dois como conjunto. Como UAU, OK.

Nenhum dos dois músicos é estranho à indústria: Daniel estudou no conservatório, tocou numa filarmónica e tornou-se autoditada em guitarra e produção musical, já Vasco teve inúmeras bandas, entre elas uma de punk com Slow J, acompanhou Papillon e realizou um videoclip, algo que também chegou a fazer para os Lotus Fever e, agora, os dois juntos, apresentam Adamastor, o primeiro de -esperamos- muitos hits.

A canção constrói-se de uma forma um tanto abstrata, misteriosa e nostálgica, tal como a figura que dá nome ao single. “Tu nasceste quando os astros se alinharam, Com buracos negros e a raiva de Deus, Quando os mortos se ergueram p’a cantar em coro, que os erros da História vão ser todos teus” é cantado na voz de Vasco, em tom de coro grego e premonição, numa construção trágica que tem no seu apogeu o grito de escritor e compositor “EU VOU MATAR O TEU ADAMASTOR!”, que é antecipado por um frenético riff de Miguel Solano, que também contribuiu para este single de estreia dos UAU, OK.

É notória toda a noção cénica dos dois, que conseguem teatralizar a canção através de crescendos, arranjos de cordas e planícies vocais que assentam na perfeição na voz de Reis Ruivo. O mesmo efeito cénico é acompanhado por um videoclip realizado por Vasco (como não podia deixar de ser), com o efeito misterioso salientado pelos tons de preto-branco e frames dos dois artistas. Ora em close-ups dos instrumentos ora das bocas e olhares dos artistas, alternando com momentos do espaço exterior quase solitário ou de uma casa de campo onde os dois se encontram a gravar. Existe algo de inquietante e violento nas imagens que, sem nunca nos revelar muito, mexem com o imaginário de quem as vê.

Dos UAU, OK não sabemos o que esperar, o que é bom, já não sabíamos antes, mas saberemos sempre que a surpresa fará parte e que a fasquia está muito alta. Adamastor abre as portas para uma nova realidade não só para nós (e vocês, ouvintes) como para os próprios músicos que, em palavras suas explicam que “um espaço de trabalho entre dois colegas da faculdade de Cinema,
tornou-se a caverna de onde agora sai o Adamastor“. Não há como fugir. queremos agora saber com que armas vamos matar o Adamastor.

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