Mito – Vida de Cão

Da pedra da calçada lisboeta nascem raízes que crescem à noite, alimentam-se do urbano, do neon, do pop e do contemporâneo. Essas raízes têm nome: MITO. O duo lisboeta que se apresenta agora com Vida de Cão e a promessa de um álbum de estreia no próximo ano.

Há cerca de 3 anos apresentámos, na altura em inglês na rubrica Portuguese Express, aquele que era o single de estreia dos MITO, um duo Lisboeta formado por Manuel Siqueira e Pedro Zuzarte. Bom Rapaz deixou-nos com água na boca mas rapidamente nos deixou com sede de mais e o hiato foi longo mas já acabou. Vida de Cão vem não só tirar-nos a sede como também adoçar-nos a boca e preparar-nos para o que está para chegar, quem sabe, no início de 2021. O duo terá um disco para apresentar ao público que promete por toda a gente sacudir os ombros e esquecer que 2020 foi um ano “de cão”.

A nova canção vem agora dar-nos a conhecer uma nova imagem de MITO: é o primeiro single retirado do álbum de estreia A Razão é Óbvia, um álbum que irá contar com 10 novas canções e que irão explorar as incertezas e indecisões da vida de cada um, trazidas neste caso pelas emoções, palavras e vozes de artistas, ponto de partida que já vê o véu ser levantado em Vida de Cão.

As experiências de vida -curta, ainda, é verdade- dos dois músicos lisboetas são misturadas com o mundano, o urbano e o frenético da cidade onde vivem sendo de uma forma ou de outra transformadas em canções pop dançantes, mas não tão pop quando o experimental e a constante necessidade de buscar novas formas de expressão ganham espaço. MITO promete assim deixar de ser mito e passar a ser realidade, embora nos guardem espaço para sonhar enquanto nos convidam para dançar desde o primeiro ao último acorde.

A este imaginário repensado pelos músicos Pedro e Manuel junta-se a visão de Joana Linda, que dá uma interpretação futurista a Vida de Cão. O ambiente espacial contrasta com o “sedentarismo” de Zuzarte, inspirado na frase de Agostinho da Silva “o homem não nasce para trabalhar, nasce para criar”, que tanto nos diz que “e como sabes bem, eu vou ser alguém” como a seguir nos dá a entender que irá chegar o dia em que começará a trabalhar para ser gente também. Existe ironia não só nas palavras como nas posturas opostas dos dois protagonistas. Pelas imagens realizadas por Joana existe um paradoxo entre os dois músicos, a manifesta incerteza do fazer ou não fazer, e de o que fazer.

Uma coisa é certa, os MITO deixaram de ser “bons rapazes” e prometem largar a “vida de cão” mal saia A Razão é Óbvia, e nós estaremos cá para confirmarmos essa razão.

FacebookInstagramSpotify